
Quando comecei a escrever prometi que seria para sempre.
Quando disse que queria ser escritora, disse-o da boca para fora, sem saber que já era verdade.
Já não consigo abandonar as teclas de um computador, mas sonho conseguir escrever em cadernos molleskine, sentada num banco de jardim.
Sei que poderia escrever um romance, daqueles que nunca são publicados, mas na hora de escrever a mão contrai-se e as palavras escapam-se, como se o papel lhes provocasse dor.
Se escrevesse todas as coisas em que penso e sonho, seria considerada uma louca sem remédio.
Admiro as palavras escritas pelos outros enquanto das minhas mãos vejo apenas deserto.
Tenho saudades do tempo em que escrevia e pensava com fervor.