Eu não sei falar de amor.
[Portanto, não falem da minha ausência. Incomoda-me a praça pública de uma coisa que é minha e absolutamente minha]
Junho 10, 2009
Eu não sei falar de amor.
[Portanto, não falem da minha ausência. Incomoda-me a praça pública de uma coisa que é minha e absolutamente minha]
Junho 7, 2009
Ficou um pouco mais egoista, um pouco mais umbiguista, a criticar o que um dia lhe calhará na rifa, a irritar-se com as pessoas que mais ama, sem saber ouvir e, muitas vezes, a pensar que sabe viver. Respira quando está sozinha a fazer o que quer e ainda assim sente uma imensa culpa por já não sentir a necessidade de estar e a identificação de valores.
Acho que estou profundamente errada e com o meu mundo ao contrário, mas ainda assim sei que sou mais feliz assim.
Junho 7, 2009
Minha laranja amarga e doce
Meu poema feito de gomos de saudade
Minha pena pesada e leve
Secreta e pura
Minha passagem para o breve
Breve instante da loucura
Minha ousadia, meu galope, minha rédia,
Meu potro doido, minha chama,
Minha réstia de luz intensa, de voz aberta
Minha denúncia do que pensa
Do que sente a gente certa
Em ti respiro, em ti eu provo
Por ti consigo esta força que de novo
Em ti persigo, em ti percorro
Cavalo à solta pela margem do teu corpo
Minha alegria, minha amargura,
Minha coragem de correr contra a ternura
Minha laranja amarga e doce
Minha espada, meu poema feito de dois gumes
Tudo ou nada
Por ti renego, por ti aceito
Este corcel que não sossego
À desfilada no meu peito
Por isso digo canção castigo
Amêndoa, travo, corpo, alma
Amante, amigo
Por isso canto, por isso digo
Alpendre, casa, cama, arca do meu trigo
Minha alegria, minha amargura
Minha coragem de correr contra a ternura
Minha ousadia, minha aventura
Minha coragem de correr contra a ternura
[José Carlos Ary dos Santos]
Junho 4, 2009
Deixei-me de contratempos. Agora, escrevo sobre a realidade e nunca a minha vida foi tão concisa, batida a dois tempos cruzados. Agora, é isto e acabou. Não tenho tempo para mais nada a não ser escrever. Não me venham com coisas que eu não tenho tempo. Gostava de estar e de sentir coisas absolutas, de ter tempo, de olhar o rio sem me preocupar com as horas. E no entanto continuo a não usar relógio, prefiro ir ao sabor do tempo. Aceitar as coisas a ter o mínimo medo possivel, sobretudo encarar o touro de frente. Se não sei, aprendo de alguma forma. Se sinto, azar, tenho de deixar de sentir e viver assim. Se me sinto sozinha, que se lixe, arranjo coisas para fazer e ocupo-me com coisas úteis. Palavras, músicas, essas coisas. A vida não pode ser vivida na absoluta insensatez.
Tenho demasiadas saudades daquele país, aquele país. Onde sonhava sem saber que horas eram. Em que os meus sonhos puderam ter um corpo e um rosto. Viajei em comboios de loucura, de razão, de tudo e de nada, de jogos de cartas, de amizades, de pessoas. Hoje, acho que deixei de viajar. Deixei de ter sonhos enquanto caminho pelas ruas. Enquanto crio ruas. Olhar e sor
rir porque o via. Receber de volta o sorriso? Não.
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Porque não sei viver com o meu próprio tempo. Magoei-me outra vez com a minha história. Desculpas a mim própria. Não perdoo tamanho erro, não consigo. Por isso vou embora. Não aguento mais. Quero colocar amor em todas as coisas, quero a resposta do outro lado e apenas encontro uma rua vazia. O pior: com olhares e rostos estranhos, que não consigo amar. São os tempos desencontrados.
Por isso quero viver tudo ao mesmo tempo. Fazer tudo e experimentar tudo. Não quero parar para pensar na falta dos meus sonhos. E isso é uma coisa só minha. Calem-se, por favor, tentando deixar-me aqui. Eu não posso ficar aqui, eu quero fugir.
Maio 26, 2009
Só espero que sejas o meu lugar como eu quero que seja. Estou ansiosa por te receber.

Maio 25, 2009
Estorvo * não passa de um esburacar dos podres da sociedade contemporânea brasileira, com uma escrita fugaz, simples sem ser simplista, confusa para quem lê as palavras que estão perante os olhos, sem saber que por trás se esconde a mais dura critica e análise dos tempos modernos.
O mundo é tudo o que acontece ** é uma compilação de sentimentos sobre todas as coisas que habitam e fazem o mundo em que vivemos; mas existem textos que retratam apenas o pequeno mundo do autor, como um casulo. Um mundo que é duro e ao mesmo tempo reflectivo. Porque o mundo de cada um de nós é sempre digno de ficar num livro.
[Lamento, mas sou incapaz de te dar a prenda que mais queres: seria uma imensa prova de amor arrancar de um livro as páginas que eu mais gosto. Seria como arrancar parte de mim]


Maio 18, 2009
Hoje percebi que quero ser jornalista. É como um amor que tem os seus dias bons, extraordinários, péssimos e maus, mas que eu não consigo deixar. Sinto isso em cada edição e em cada trabalho publicado.
Como serei jornalista num país onde jornais fecham, onde o trabalho é precário e sujeito a exploração, onde não somos bem remunerados e, sobretudo, onde acabamos por não fazer o que mais gostamos?
[Teria a vida facilitada se estivesse em economia ou numa área comercial. Mas não seria tão feliz]
Maio 18, 2009
O que sobretudo a cansava não era sentir aquele desgaste fisico logo que acordava de manhã, aquelas pequenas dores e pontadas aqui e ali. Cansava-a sim querer detestar e ignorar e não conseguir, porque algum sentimento ainda lá estava; ter saudades todos os dias e não suportar mais a solidão mascarada que ninguém via, só ela; rir e chorar por dentro; sentir as coisas tão imensas e tão vazias ao mesmo tempo; sentir-se ignorada e sobretudo mal-amada, esquecida. Era um imenso cansaço que lhe pesava os sentidos na imensa correria em que se havia tornado a sua vida. 
[A arte, a música, o cinema, as palavras e as imagens continuavam a ser os seus salvadores]
Maio 13, 2009
Estou sozinha no lugar mais barulhento do mundo, o mais caótico. Estou cheia de folhas e jornais à minha volta. Vejo as pessoas a correr, a telefonar, e no entanto sinto-me uma solitária neste momento.
Há pessoas que simplesmente admitem. Eu não consigo. Eu sou forte e não digo, não penso, não quero fazer para não me magoar. Apesar de saber que o coração nunca se deve evitar, sob pena de vivermos sempre na mesma linha de emoções. Mas sou forte, não quero e não posso. [Esta é a maior mentira do mundo].
Sinto que estou farta das pessoas e só me apetece sair daqui. Demasiada violência para os meus sentidos. Parem, já me doem
os olhos, os ouvidos, tudo. Sim, agora detesto-te.
[Adoro ouvir grandes músicas com os dois phones a funcionar, quase no máximo. É o único prazer a que me posso permitir neste momento]
Maio 5, 2009
Não te amo mais. Já não quero nada de ti, não anseio pela tua presença. Só quero que agora percebas e sintas na pele tudo aquilo que eu sofri por não te ter tido. Ainda que não me tenhas magoado, ainda que não me tenhas prometido nada.
E ao sentir isto sinto-me a pior pessoa do mundo.